5 de fevereiro de 2026
O mercado
imobiliário brasileiro entra em 2026 impulsionado por novas formas de morar,
investir e consumir habitação. Imóveis compactos, modelos de locação flexível
(short stay) e empreendimentos com foco em bem-estar e qualidade de vida
despontam como as principais tendências do setor, segundo estudo da Housi
baseado em entrevistas com especialistas de incorporadoras de todo o país.
Esses
movimentos já se refletem em mercados regionais de forte crescimento, como
Manaus, que vive um dos melhores momentos de sua história imobiliária,
sustentado por alta demanda, crédito imobiliário aquecido e rápida absorção de
novos formatos de moradia.
Unidades
compactas e short stay ganham protagonismo
De acordo
com o levantamento da Housi, 53,8% do interesse do mercado está concentrado em
projetos de short stay e uso misto, enquanto 44% das tendências de crescimento
estão associadas a empreendimentos voltados ao conceito de wellness, que
integra moradia, serviços e bem-estar.
As unidades
compactas lideram a agenda de lançamentos em todo o Brasil por reunirem
atributos valorizados pelo consumidor atual: localização estratégica,
eficiência de uso, menor custo total e maior liquidez. Esses imóveis também se
mostram altamente compatíveis com modelos de operação contínua e gestão
profissional, o que atrai investidores em busca de rentabilidade e
previsibilidade.
Crédito
imobiliário e demanda sustentam o crescimento
O cenário
favorável é reforçado pela recuperação do crédito imobiliário e pela demanda
estrutural por moradia. Segundo Sérgio Avelino Filho, diretor comercial da
Patter Incorporadora, o momento do setor é sólido:
“O mercado
imobiliário está extremamente forte, com cenários muito positivos quando se
fala em crédito imobiliário e recursos para financiamento.”
Esse
ambiente nacional se reflete com intensidade em Manaus. Dados da Associação das
Empresas do Mercado Imobiliário do Amazonas (ADEMI-AM), em parceria com a Brain
Inteligência Estratégica, mostram que o Valor Geral de Vendas (VGV) alcançou R$
2,738 bilhões nos nove primeiros meses de 2025, superando todo o volume de
2024. A expectativa é fechar o ano acima de R$ 3 bilhões, consolidando um ciclo
de expansão sem precedentes.
Tendência
nacional que se reflete nas cidades médias do Brasil
Embora o
estudo utilize Manaus como um dos principais exemplos de mercado aquecido, as
tendências apontadas — como imóveis compactos, locação flexível (short stay) e empreendimentos
de uso misto — são observadas em todo o Brasil, especialmente em cidades médias
em expansão.
Em
Araçatuba e região, esse movimento já é visível com o crescimento de
lançamentos voltados ao conceito mixed use, que combinam studios para short
stay, salas comerciais e lojas no mesmo empreendimento. Projetos como o Up Town
da Ferreira e o Ferreira Downtown, focados exclusivamente em studios para
locação de curto e médio prazo, abriram caminho para esse novo modelo em
Araçatuba. Esses empreendimentos demonstraram, na prática, que o short stay
pode gerar rentabilidade superior à locação tradicional, com contratos entre 12
e 30 meses.
Agora, a
evolução desse movimento se consolida com lançamentos como o Ferreira Hub e o Brasília
Square. Enquanto o Ferreira Hub já materializa essa nova fase, o Brasília
Square, com lançamento previsto para março, chega como a próxima aposta do
mercado ao ampliar o conceito por meio do modelo mixed use. Além de studios
voltados ao short stay, esses empreendimentos integram salas comerciais e lojas,
criando ambientes mais completos, com maior fluxo, conveniência e potencial de
geração de receita.
Esse
desempenho reforça uma transformação estrutural no setor imobiliário, em que os
studios seguem como protagonistas do investimento, enquanto o uso misto agrega
valor urbano, diversificação de renda e maior atratividade para investidores e
compradores em mercados regionais como Araçatuba.
Empreendimentos
inteligentes e foco em experiência
Dentro
desse novo contexto, incorporadoras apostam em projetos mais integrados.
Segundo Sérgio Avelino Filho, a Patter Incorporadora vem se posicionando com
empreendimentos inteligentes e inovadores:
“A Patter
se destaca por desenvolver prédios com sistemas operacionais que integram
serviços e empresas para atender diferentes necessidades de moradores e
hóspedes.”
Essa
abordagem dialoga diretamente com o perfil do consumidor contemporâneo, que
valoriza soluções completas e praticidade no dia a dia.
Mercado
estudantil mantém crescimento consistente
Outro
segmento em expansão é o imobiliário estudantil, responsável por cerca de 15%
das tendências de crescimento mapeadas pela Housi. A previsibilidade de
receita, a ocupação recorrente e a forte demanda jovem sustentam esse modelo,
especialmente em capitais regionais e cidades universitárias.
Demanda
reprimida e valorização moderada
Em Manaus,
o mercado apresenta um sinal claro de demanda reprimida. Segundo a ADEMI-AM, o
volume de vendas supera o de lançamentos, especialmente para imóveis entre 40
m² e 50 m², hoje os mais procurados. O preço médio do metro quadrado gira em
torno de R$ 6.600, com valorização moderada de 2,6% nos últimos 12 meses.
Esse
equilíbrio entre crescimento de demanda e valorização controlada torna a cidade
ainda mais atrativa para novos projetos e investimentos.
Conclusão:
um novo ciclo imobiliário em consolidação
O avanço
de imóveis compactos, locação flexível e empreendimentos voltados ao bem-estar
sinaliza que o mercado imobiliário brasileiro entra em 2026 em um novo ciclo de
crescimento, mais conectado ao comportamento do consumidor e às novas dinâmicas
urbanas.
Manaus se
consolida como um território estratégico nesse cenário, reunindo crescimento
econômico, confiança do consumidor, espaço urbano disponível e forte absorção
de novos produtos. Para investidores, incorporadoras e compradores, entender
essas tendências será essencial para tomar decisões mais seguras e alinhadas ao
futuro do setor.
Fonte:
Jornal do Comércio do Amazonas (fev/2026)