15 de janeiro de 2026
Após anos de juros elevados e retração no crédito, o
mercado imobiliário brasileiro vislumbra 2026 como um ponto de virada. A
expectativa é de um crescimento de até 10% nas vendas de imóveis, impulsionado
por mudanças regulatórias, novas políticas de financiamento e injeção de
recursos no crédito habitacional.
Juros altos frearam o setor, mas a demanda
permanece
Mesmo com a taxa Selic em torno de 15% ao ano, o
desejo por compra de imóveis não desapareceu. O volume financiado entre janeiro
e novembro de 2025 foi de R$ 140 bilhões, uma queda de 17,1% em relação ao ano
anterior, segundo a Abecip. A restrição de crédito, e não a falta de interesse,
foi o principal entrave.
Classe média foi a mais impactada
Enquanto o Minha Casa, Minha Vida deve atingir recorde
de 600 mil unidades, o segmento financiado via poupança (SBPE) recuou mais de
20%. Um estudo da Abrainc revelou que 800 mil famílias foram excluídas do
mercado de crédito para imóveis em torno de R$ 500 mil nos últimos cinco anos.
Injeção de R$ 35 bilhões no crédito
habitacional
O governo federal liberou 5% do compulsório da
poupança, injetando R$ 35 bilhões no SBPE. Isso aumenta a capacidade dos bancos
de conceder crédito, com possíveis reduções nas taxas e maior alcance fora do
MCMV.
Teto do SFH sobe após sete anos
O valor máximo para financiamento com uso de FGTS
passou de R$ 1,5 milhão para R$ 2,25 milhões. A medida amplia o público-alvo em
grandes centros urbanos e melhora as condições para quem quer usar o FGTS para
entrada, amortização ou quitação.
Faixa 4 do Minha Casa, Minha Vida mira a
classe média
A nova Faixa 4 do MCMV é destinada a famílias com
renda de R$ 8,6 mil a R$ 12 mil e imóveis de até R$ 500 mil. Permite o uso do
FGTS, juros menores e prazos mais longos, beneficiando quem ficava fora das
faixas anteriores e do crédito de mercado.
Intenção de compra está em alta
Dados da Brain Inteligência mostram que 48% dos
consumidores de médio e alto padrão têm intenção de comprar um imóvel. Isso
indica que a demanda está apenas aguardando condições mais favoráveis para se
concretizar.
Perspectivas para 2026
O crescimento previsto dependerá da redução efetiva da
Selic, estabilidade econômica e manutenção das políticas de crédito. O cenário
é otimista, com sinais de reaquecimento equilibrado entre as faixas de renda.
Conclusão
Com fundamentos mais sólidos, 2026 pode marcar o
início de um novo ciclo de crescimento para o mercado imobiliário brasileiro. A
combinação de medidas regulatórias, estimulo ao crédito e reaquecimento da
demanda coloca o setor em rota de retomada sustentável.
Fonte: Portas.com.br
(dez/2025)